Depois de exatos seis meses, cá estou, voltando a escrever. Ironicamente o último texto foi sobre “o próximo passo”.

A verdade é que Raul nunca esteve tão certo: “eu não sei onde estou indo, mas estou no meu caminho”.

Com tudo que tem rolado sobre IA/LLM nos últimos meses, este sentimento tem batido mais forte. Minha ansiedade tem crescido cada dia mais. A vontade de estar nas redes sociais desaparece a cada scroll de tela. Cheguei no ponto que até a vontade de criar conteúdo tem sumido. Parece que nada mais faz sentido, pelo menos no lado digital da vida.

Até para falar sobre isso é difícil. É como seu eu fosse o do contra, o pessimista, um velho rabugento, aquela pessoa que não quer se atualizar. A sensação é que o mundo está indo para um lugar que eu simplesmente não estou afim de ir. Não é sobre conservadorismo ou querer manter as coisas como estão, mas sim sobre a direção para onde estamos caminhando.

E veja bem, eu uso diariamente IA e às aplico tecnicamente com impacto real em diferentes projetos. Não é sobre aprender coisas novas, sigo me desenvolvendo, criando e entregando projetos constantemente sobre isso.

Talvez tenha mais a ver sobre o cansaço de tanta coisa nova e super-estimada, que honestamente, não entrega nada muito diferente do que já temos. Talvez seja sobre o volume de novos produtos que ninguém usa, mas que não param de surgir. Se até pouco tempo era o carro, roupa da moda ou smarphone, agora é o novo modelo, skill ou harness e pipipi popopó novo. Talvez seja isso, só mais um artifício do capitalismo para manter as pessoas viciadas em consumir novas tecnologias.

A diferença é que dessa vez, além do nosso dinheiro, estão levando embora nossa inteligência. Minha avó dizia que “a única coisa que não podem tirar da gente é o nosso conhecimento”. Já tenho dúvidas sobre isso.

Realmente não sei onde vamos chegar e por isso é tão difícil imaginar alguma alternativa ou caminho diferente. Isso tem me congelado e afetado, me sinto inútil, imprestável.

Por mais de sete anos tenho tentado fazer algo de diferente, compartilhando o que sei com outras pessoas, criando verdadeiras conexões e acreditando em uma possível mudança real, para melhor. E agora, essa dúvida cresce. Ainda que eu lute todas as manhãs, parece inevitável que a relevância do projeto como um todo só diminuirá.

A real é que eu só não quero me render a essa lógica de mercado, de ter que falar sobre as infinitas novidades que ninguém lembrará em 3 ou 4 meses. Quero manter o nosso combinado de transformação, de ensino real para pessoas reais. Construir coisas que durem!

Tem sido difícil verificar o real efeito disso.

Sei que não estou lutando da melhor forma e nem escolhendo as melhores batalhas. Nem mesmo sei para onde ir, eu também estou perdido. Vamos continuar tentando.